Natal e ano novo chegando... que bom!
Mais um ciclo se encerra, e a luta por melhores dias continua...
Desejo que seus desejos mais puros se concretizem, que saiba em 2009 deixar ser guiado pelo coração, e que tua razão seja fundamentada em princípios de respeito e amor ao próximo sempre.
Deixo para meus amigos queridos palavras sábias de Einstein:
“O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.” Einstein
Beijos!
A porta da verdade estava aberta, mas só deixava passar meia pessoa de cada vez. Drummond
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Deixa o que é bom ficar!
Depois de dias solidários e de tensão, se aproximam as festas de fim de ano. O espírito natalino comum nesta época gera reflexão sobre como levamos nossas vidas, reforçado após a tragédia que assolou nosso vale. É sobre as coisas lindas, como os sentimentos de caridade e bondade, que vou falar. Definição no dicionário: Caridade: esmola, favor, benefício: fazer a caridade, Bondade: Inclinação a fazer o bem, a ser benigno, indulgente
A caridade tem uma relação estreita com o sentimento de dever social, de praticar uma boa ação e ser recompensado, de fazer por princípios religiosos e para manter o status “caridoso”. A caridade praticada por vários grupos é fundamental, e não vou diminuir o efeito destas boas ações, mas mostrar uma outra forma de se pensar o conceito de ajuda ao próximo.
“Se as pessoas são boas só por temerem o castigo e almejarem uma recompensa, então realmente somos um grupo muito desprezível.” Einstein.
A promoção do bem cotidiano vai além de ações de recolha de alimentos e brinquedos, em datas específicas determinadas por nossos avós. Agir com bondade deve ser como espirrar. Deve ser natural, constante... como um processo de aperfeiçoamento do que somos. A questão da bondade anda lado a lado com o respeito ào próximo, em não fazer aos outros o que não gostaria que fizessem à você mesmo. Antes de silenciar um “bom dia” pra quem seja, pergunte-se se ser ignorado te faria bem. Antes de ser grosseiro com algo que te irrita, pergunte-se: Porque isso me irrita tanto? Antes de sugerir ações ideais ou de agir preconceituosamente, pergunte-se: Porque acho que as pessoas devem seguir o que eu acho certo?
Respeitando a diversidade e a expressão alheia, nos predispomos a fazer o bem, sempre. Fazer o bem não significa deixar ser passado para trás ou transmitir uma imagem de idiota. Significa saber que o sucesso e a alegria das pessoas só melhora o mundo, que existe espaço para expressão de todas as formas de Ser, que apesar de respeitar e agir em prol do bem alheio, Ser bom não dói e não significa ser o bobão bonzinho dos filmes norte-americanos, ao contrário, pra ser do bem tem que saber pensar, ouvir mais que falar e ser inteligente para contornar as pedras do caminho.
“O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.” Einstein
Nestes tempos recentes que vivemos, vimos ações caridosas e boas ações. Vimos também absurdos. Caridade e bondade tem significação aproximada, quase se fundem, mas a diferença é o resultado que seus conceitos aplicados trazem. Pergunte-se sempre antes de falar, criticar e agir: O que o amor faria em meu lugar? A luz e o amor libertam quem emana estes sentimentos nobres e são refletidos no mundo, de uma forma muito mais forte que imaginamos!!!
A caridade tem uma relação estreita com o sentimento de dever social, de praticar uma boa ação e ser recompensado, de fazer por princípios religiosos e para manter o status “caridoso”. A caridade praticada por vários grupos é fundamental, e não vou diminuir o efeito destas boas ações, mas mostrar uma outra forma de se pensar o conceito de ajuda ao próximo.
“Se as pessoas são boas só por temerem o castigo e almejarem uma recompensa, então realmente somos um grupo muito desprezível.” Einstein.
A promoção do bem cotidiano vai além de ações de recolha de alimentos e brinquedos, em datas específicas determinadas por nossos avós. Agir com bondade deve ser como espirrar. Deve ser natural, constante... como um processo de aperfeiçoamento do que somos. A questão da bondade anda lado a lado com o respeito ào próximo, em não fazer aos outros o que não gostaria que fizessem à você mesmo. Antes de silenciar um “bom dia” pra quem seja, pergunte-se se ser ignorado te faria bem. Antes de ser grosseiro com algo que te irrita, pergunte-se: Porque isso me irrita tanto? Antes de sugerir ações ideais ou de agir preconceituosamente, pergunte-se: Porque acho que as pessoas devem seguir o que eu acho certo?
Respeitando a diversidade e a expressão alheia, nos predispomos a fazer o bem, sempre. Fazer o bem não significa deixar ser passado para trás ou transmitir uma imagem de idiota. Significa saber que o sucesso e a alegria das pessoas só melhora o mundo, que existe espaço para expressão de todas as formas de Ser, que apesar de respeitar e agir em prol do bem alheio, Ser bom não dói e não significa ser o bobão bonzinho dos filmes norte-americanos, ao contrário, pra ser do bem tem que saber pensar, ouvir mais que falar e ser inteligente para contornar as pedras do caminho.
“O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.” Einstein
Nestes tempos recentes que vivemos, vimos ações caridosas e boas ações. Vimos também absurdos. Caridade e bondade tem significação aproximada, quase se fundem, mas a diferença é o resultado que seus conceitos aplicados trazem. Pergunte-se sempre antes de falar, criticar e agir: O que o amor faria em meu lugar? A luz e o amor libertam quem emana estes sentimentos nobres e são refletidos no mundo, de uma forma muito mais forte que imaginamos!!!
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Desejo ou dádiva?

aquilo que se deseja; apetite;cobiça;anseio;propósito;
intuito.
Dádiva: do Lat. dativa, que é dado.
presente;dom;oferta;donativo.
Quando menos esperamos coisas maravilhosas acontecem na nossa vida. Já percebeu? As dádivas é que tornam nossa vida realmente especial. Vai parecendo bem real aquele papo dos best sellers de auto-ajuda sobre deixar os desejos de lado e se desapegar, funciona mesmo! É o tipo de livro que vemos e pensamos: blah blah blah! Vou começar a coluna com uma sugestão de leitura, leia “Bem longe de casa” de Ismahel Beah, é uma excelente leitura para todos que sempre achamos que temos menos ou que não somos como deveríamos ser.
Semana passada aconteceram coisas inacreditáveis na minha vida. Sem nenhuma previsão, sem aviso, sem nenhuma expectativa, o que aconteceu comigo foi maravilhoso e é sobre coisas lindas – que acontecem quando menos esperamos – que quero falar.
Quando conseguimos deixar de lado aquele monte de desejos e expectativas de como gostaríamos que as coisas acontecessem, é nesse momento que coisas imprevisíveis acontecem. Pode ser a visita de um amigo distante, um convite, um novo amor ou o perdão de alguém querido. As coisas realmente não precisam ser como planejamos... PODEM SER MELHORES! Pode chamar de obra de Deus, do Universo ou do acaso, mas que às vezes a vida nos dá presentes isso sim é verdade. Se você é da linha criacionista, ok, digamos que sua mente pode criar situações bastante agradáveis.
Vamos combinar que coisas boas geram coisas boas? Pense além das boas ações. Ter pensamentos felizes e gratos à vida podem te trazer bons frutos. Trabalhe a cabeça e atraia coisas boas. Deixe de querer que as coisas aconteçam exatamente como planeja. Sabemos que não é fácil se desapegar das expectativas de vida de conto de fadas, quando crescemos em uma sociedade que nos faz acreditar em fórmulas de vida perfeitas. Ora, não há como existir uma fórmula, um segredo ou um caminho perfeito, que pode ser seguido por todos. Cada um tem uma história de vida, única. Fórmulas e padrões não servem bem à pessoa alguma. Sempre será uma condicionante de restrição, como diria um amigo meu.
Já parou para se perguntar o que deixa de fazer por ser considerado uma atitude fora dos padrões? É como se a maioria das pessoas achasse tão perfeito à ponto de querer que outros vivam de acordo com seus conceitos. A vida não é bem assim. Claro que padrões morais de conduta, educação e formas gentis de se relacionar são indispensáveis, sempre.
Pare de esperar demais dos outros, pare de querer que as pessoas ajam de forma que lhe convém. Não crie tantas expectativas, elas só servem para afastá-lo dos presentes que recebemos da vida todos os dias, que por muitas vezes deixamos passar, por não abrirmos mão de desejar coisas e pessoas, que por vezes não são o que de melhor pode nos acontecer. A vida nos prepara surpresas lindas, fique atentos.
É justamente nos momentos em que abrimos mão de desejos elaborados à partir destas convenções sociais, que vemos coisas incríveis acontecerem. Quando nos cansamos de procurar um amor é que ele acontece. Nossa inteligência está muito limitada para sabermos o que é bom para nossas vidas. As vezes aquele contrato ou proposta de emprego perdido aconteceu para abrir caminho à propostas futuras melhores.
”Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...
A vida não pára!...
A vida é tão rara!...”
Lenine, paciência
Fica a dica pra esta quinzena: Pare de esperar tanto, de querer coisas tão elaboradas e rápidas. Deixe mais a vida acontecer e ir te mostrando os caminhos, com menos expectativas... Esteja atento aos presentes do tempo real! A perfeição não é um estado, é um caminho a ser seguido!
Agora uma homenagem a minha amiguinha linda que tá com um bebezinho amado na barriga: - Você vai ser uma mamãe mara! (hehe), e nós vamos cuidar muito de vocês três! - Parabéns Lucas, Paola, Soninha e Carol!
Beijooooooooos ; )
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Fim de ano mais uma vez
o verão vem chegando, a chuva não dá trégua.
Pra compensar os tempos na mesmice blogateira:
tem poema pra meu bem e entrevista com Olavo de Castro, o jovem ator-promessa dos palcos de Minas.
Falando em palcos de Minas, saudade desse povo que faz arte sem ver, filosofa quando acorda, fuma cigarro de palha e arrasa no palco.
Olavo, Danilo, Patricia, Wagner Assunção, Rita, Dani Christoffer, Bayron, Zeca Santos, Laura e Fernando Couto.
beijooooooos da Jo : )
o verão vem chegando, a chuva não dá trégua.
Pra compensar os tempos na mesmice blogateira:
tem poema pra meu bem e entrevista com Olavo de Castro, o jovem ator-promessa dos palcos de Minas.
Falando em palcos de Minas, saudade desse povo que faz arte sem ver, filosofa quando acorda, fuma cigarro de palha e arrasa no palco.
Olavo, Danilo, Patricia, Wagner Assunção, Rita, Dani Christoffer, Bayron, Zeca Santos, Laura e Fernando Couto.
beijooooooos da Jo : )
No mundo do meu bem
Os sorrisos das bocas entreabertas calou vós.
O espelho que as bocas vêem reflete a superfície do lago,
onde estão bem poderias não estar.
Nada é revelado à superfície, seria fácil para os tolos,
E vês quantos são?
Na beira do lago eu perdi a poesia.
Na beira se perde as coisas e a sí mesmo.
A poesia não se perde, vai! – diz ela -,
poesia não bóia, afunda.
vai abaixo dos espelhos que narciso só os vê, e só.
Lá longe, depois da chuva fria que cai
Sempre há. Suspeitas, eu sei.
Supeitas da música do teu pai, e do teu fim
Agora você é só vodka com gelo e suco.
Você é só, constrangido.
Havia uma porta,
Onde só meias verdades podem passar,
diz outro poeta. Desista da certeza.
Não há nada decerto certo nesta bola,
que gira e cozinha lentamente sob o sol.
Mas não é bem verdade, é bem processo,
bem caminho.
É meu benzinho perambulando.
ele come, veste, desembainha a pexêra,
Ele lida assim com o mundo, foi assim que lidaram com meu bem.
O espelho que as bocas vêem reflete a superfície do lago,
onde estão bem poderias não estar.
Nada é revelado à superfície, seria fácil para os tolos,
E vês quantos são?
Na beira do lago eu perdi a poesia.
Na beira se perde as coisas e a sí mesmo.
A poesia não se perde, vai! – diz ela -,
poesia não bóia, afunda.
vai abaixo dos espelhos que narciso só os vê, e só.
Lá longe, depois da chuva fria que cai
Sempre há. Suspeitas, eu sei.
Supeitas da música do teu pai, e do teu fim
Agora você é só vodka com gelo e suco.
Você é só, constrangido.
Havia uma porta,
Onde só meias verdades podem passar,
diz outro poeta. Desista da certeza.
Não há nada decerto certo nesta bola,
que gira e cozinha lentamente sob o sol.
Mas não é bem verdade, é bem processo,
bem caminho.
É meu benzinho perambulando.
ele come, veste, desembainha a pexêra,
Ele lida assim com o mundo, foi assim que lidaram com meu bem.
GV4: Olavo de Castro, ator

São duas horas da tarde, véspera de um feriado com muito calor. Na cantina do Lucas, reduto da boemia artística de Belo Horizonte, Olavo de Castro, a promessa do teatro mineiro para os palcos do Brasil, aguarda gentilmente tomando um suco de laranja pela entrevista. Falamos sobre formação, fama, cinema e projetos. Vencedor do prêmio USIMINAS/SINPARC de melhor ator, o mais jovem a receber o prêmio. Olavo, apesar de enquadrar-se fácil aos estereótipos de sucesso, diz que foge deles. Se concentra na preparação para que o vôo seja longo e seguro. Mas não descarta a possibilidade e mantém em sigilo seus convites. Ttoca o terceiro sinal.
Maria Joana:
Como foi o início da sua careira? Quando você percebeu que atuar seria sua escolha de vida?
Olavo de Castro: Foi em 1996. Eu resolvi ir pro RJ tentar teatro, eu tinha 19 anos, 20 anos quando fui. Trabalhei em loja de motos e fui fazer teatro na Casa de Artes Laranjeiras, a CAL. Foi ali que eu realmente comecei a trabalhar teatro na minha vida.
Maria Joana:
No rio você entrou em cartaz profissionalmente?
Olavo de Castro: No rio eu fiz uma montagem de “Beijo no asfalto”, de Nelson Rodrigues, mas foi aberto pouco tempo ao público. Eu trouxe minha bagagem toda de trabalho para Belo Horizonte, aqui eu comecei realmente.
Maria Joana:
Quem te recebeu em BH, alguém te olhou e apostou em você?
Olavo de Castro: Um professor meu da CAL tinha contato com um diretor aqui de BH, e eu já estava há cinco anos no rio quase, eu tava com muita saudade da minha casa, precisava voltar de qualquer forma para Belo Horizonte. Então e tive um convite, na CAL ainda, deste diretor que é o Fernando Couto, que iria montar “Santidade”, mas que nenhum ator em BH topou fazer, porque a peça é uma peça muito forte, uma peça pra quem é ator, não pra quem está ator.
Maria Joana:
A peça é forte em que sentido?
Olavo de Castro: Pela temática, é sacro- profana a peça, fala de sexo e religião, uma coisa maravilhosa. A peça é do Zé Vicente, mineiro estabelecido em SP, morreu agora, no mês passado. Topei fazer o Arthur, um ex- seminarista que se tornava garoto de programa. Foi um desfio tremendo na minha vida.
Maria Joana:
Como a classe artística mineira e o público receberam essa peça, com ator novo em espetáculo polêmico?
Olavo de Castro: Não adianta, assim... acho que em toda profissão que você dá sua cara a tapa você é sempre questionado, não interessa se você tem talento ou não. A primeira ação das pessoas é te questionar, - quem é esse? será que é bom?- É natural principalmente na classe teatral. Me questionaram muito porque tinha nu em cena, mas não era um nu descompromissado, precisava ter essa cena de nu. Acho que se a minha consciência está aberta e tranqüila, não interessa.
Maria Joana:
Fale sobre “Novas diretrizes em tempos de paz”, seu trabalho mais elogiado pela crítica, como foi o convite?
Olavo de Castro: Foi um reencontro meu com o Fernando Couto e com o Ari Nóbrega. Eu chamei o Fernando pra que agente voltasse a trabalhar juntos, já tinha feito com ele e Márcio Machado “A escada”, ele topou a fomos atrás de um bom texto. O texto de diretrizes já tava na cabeça deles. Peguei o texto, lí e fiquei fascinado, eu já conhecia a obra do Bosco Brasil. Resolvemos montar. Eu inseri o sotaque polonês na peça, e precisei de ajuda de poloneses.
Maria Joana:
E como foi esse processo?
Olavo de Castro: Tem uma história engraçada. Eu estava no Café com Letras sozinho, e a garçonete me pediu pra algumas pessoas sentarem na minha mesa, porque tava muito cheio e eu disse que não tinha problema, e eram dois poloneses. Hoje eles estão em Varsóvia e agente se fala de vez em quando. O consulado me ajudou bastante também. Porque apesar de ser teatro, tem que ser real.
Maria Joana:
A própria linha de trabalho do Fernando Couto é bem realista, não é? Você se identifica com isso?
Olavo de Castro: Eu acho que o teatro tem que levar as pessoas a pensar. Quando você vai ao teatro você tem a intenção de se divertir, mas você tem que sair do teatro com uma certa mudança, acho que uma peça de teatro tem que te acrescentar alguma coisa. Teatro é pra incomodar as consciências. Eu não tenho nada contra, qualquer expressão teatral eu respeito, mas o teatro que te leva a pensar é o meu teatro.
Maria Joana:
Você já teve proposta para fazer TV? Como é a sua relação com televisão?
Olavo de Castro: Ainda no Rio eu sabia que não era hora de tentar TV, eu não tava maduro. Você sabe que agente tem que ter esse discernimento né? Saber quando é o momento certo de se fazer alguma coisa. O ator que tem essa consciência de que tá na hora ou não tá, se ele é inteligente se dá bem. Eu acabei de fazer 30 anos e eu acho que agora é que eu to preparado para fazer TV.
Maria Joana:
A TV tem o filtro do estereótipo, e querendo ou não você acaba se submetendo ou sendo submetido a isto.. Você é um homem bonito, como se relaciona com isso?
Olavo de Castro: Eu acho que quando você faz um trabalho bem feito e faz de coração, independente se seu olho é azul preto ou amarelo, a platéia sente que você ta fazendo de verdade. A minha proposta quando eu estou fazendo teatro é me doar, me doar cem por cento. Eu acho que independente de eu ser um tipo físico ideal para a televisão ou não, se eu não tiver talento não adianta, porque fazer TV é fácil, mas fazer a segunda vez... O primeiro convite vai acontecer, o segundo é a prova que você deu certo. Beleza ajuda, mas não põe mesa.
Maria Joana:
Hoje, depois de todo o processo que você já passou, se o convite acontecer já se sente seguro?
Olavo de Castro: Hoje já. Em sete anos de profissão eu já conquistei o prêmio de melhor ator do ano (prêmio USIMINAS/SINPARC), reconhecimento em Artes Cênicas (Prêmio SESC/SATED de artes cênicas), recentemente agente conquistou outro prêmio no Festival de Vitória. Eu trabalho a minha carreira toda pautada com cuidado, eu sei aonde eu vou, com quem eu vou trabalhar, com calma.
Maria Joana:
A sua segurança tem alguma relação com o fato de Belo Horizonte ser considerada um lugar onde as pessoas tem um senso crítico muito apurado? Saber que é reconhecido em Minas te conforta?
Olavo de Castro: Ajuda sim, as grandes companhias de teatro nos anos oitenta estreavam aqui. Então a partir do momento que Minas Gerais tem esse respeito, eu sendo mineiro e trabalhando aqui, isso me dá segurança sim.
Maria Joana:
Você tem uma visão crítica sobre essa febre da fama que a TV gera?
Olavo de Castro: Eu não tenho preconceito contra quem tá começando, eu acho que todo mundo tem que correr atrás de seu sonho. Mas tem duas coisas muito importantes, uma é ser e a outra é estar, tem gente que é ator e tem gente que está ator, inclusive na nossa classe teatral tem vários, que hoje estão no teatro mas que amanhã podem voltar a trabalhar num banco. A televisão faz com que as pessoas queiram virar celebridade, né? Isso é complicado. Eu sou muito da prática mas a teoria é importantíssima. Agora preconceito eu não tenho.
Maria Joana:
Você gravou seu primeiro longa, como foi fazer cinema?
Olavo de Castro: Eu já fiz muito curta-metragem, bastante, aqui e no Rio fiz alguns. Mas na verdade esse filme foi especial. Cinema é uma vontade que eu tenho mais que televisão. É um filme espírita e se chama “A granja do silêncio”, faço um médico. Deve ser lançado em janeiro.
Maria Joana:
Em janeiro tem a Campanha de Popularização, você participa?
Olavo de Castro: Sim, já começo trabalhando no dia quatro de janeiro. Durante o mês de janeiro inteiro eu vou estar em cena, sem tirar um dia. Vou estar de quinta à domingo em cartaz no Palácio das Artes de segunda à quarta em São Paulo no centro cultural São Paulo, com “Novas diretrizes em tempos de paz”, a convite do autor Bosco Brasil.
Maria Joana:
Você ganhou o prêmio vencedor do projeto Cenas Curtas do grupo Galpão com “a raiz do grito”, como foi?
Olavo de Castro: Foi muito legal, eu recebi o convite do diretor Wilson Oliveira que foi fantástico, pra fazer a cena com outra atriz que se chama Ana Haddad. Agente viajou bastante com essa cena, que agora vamos transformar em um curta- metragem. É um texto da Alcione Araújo, sobre um preso político que quatro anos depois, sai da prisão e vai ao reencontro de sua família.
Maria Joana:
E a sua família, o que acha da sua profissão?
Olavo de Castro: Eu tenho uma mãe filha de ator, meu avô era radialista e criou oito filhos. Tive total apoio. Sempre me apoiaram, a vida de ator não e fácil, essa vida de glamour é depois. Antes é muita luta, é carregar cenário nas costas.
Homenagem a este grande ator e seus mestres, saudosa.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
GV3: Juliano chup chup com coca-cola e a idéia original.
"Quem olha para fora, sonha;
quem olha para dentro, desperta"
Carl Young
Foi muito doído abandonar a sementinha plantada ano passado por mim e pela Luíza Gamboji, quando entrevistamos o Juliano na porta da UNA. Lembro do dia como se fosse hoje: o povo reunido na mesa do Boi na Brasa, tomando cerveja e esperando o jogo começar, eu e a Luíza saindo da faculdade. Foi quando o Juliano apareceu. Ele se aproximou pra vender refri, eu disse que só comprava se fose light, porque engorda. Ele me ofereceu uma lata vazia pra comprar, dando risadas, beeeem loco. Começamos a conversar. Ele demonstrava uma grande capacidade de relacionar coisas significantes, e desenvolvia um discurso socialista de dar inveja a muito bandeirola.
O Juliano Santos cantou rap e brincou como criança, no paraíso de ser o centro das atenções. Recitou Wilson Trópia, com uma perfeição incrível.Quase caí pra trás... tirei rápido a câmera da bolsa e comecei a gravar. Eu e a Lú olhávamos uma pra outra surpresas com aquela pessoa na nossa frente. Gravamos uma parte da conversa, uma letra de rap e fiz algumas perguntas. Ele nos acompanhou até a porta do bar, conversando como grandes amigos que há tempos não se vêem. Foi embora e nós duas nos perdemos em conversas sobre o valor das pessoas, e da necessidade de dar valor as belezas simples da vida, dos Presentes que ela nos dá.
Isso é pra lembrar a idéia original deste blog, a princípio. O resto é com você.
Desde a época do Juliano muitas coisas mudaram na minha vida e na da Luiza. O Juliano mudou alguma coisa em nós, sobre o conceito e valor que damos as pessoas. Todos importantes e peças fundamentais desta terra de possibilidades onde vivemos.
"O Senhor... mire e veja: o mais importante e bonito do mundo é isto:
que as pessoas não estão sempre iguais, não foram terminadas,
que elas vão sempre mudando. E o que a vida me ensinou.
Isso me alegra. Muitào.
Guimarães Rosa.
O valor das pessoas não está no dinheiro ou poder que tem, e sim no que refletem e nas experiências que escolhem e precisam viver. Todos tem seu caminho e se fossemos todos loiros, ricos, poderosos e famosos seria o caos. Acho que o planeta não suportaria tantos egos inchados repletos coisas fúteis e tolas.
Depois que conhecemos o Juliano refletimos sobre estes aspectos e criamos o Gentedeverdade.blogspot.com. Sua idéia principal é homenagear estas pessoas, que saíram da casca, tiraram o rótulo e fizeram diferença através de seus pensamentos, musicas, poemas e telas. Famosos ou anônimos.
Agora voce fica com o poema Mude, de Édson Marques, maravilhoso:
Mude, mas comece devagar,
porque a direção é mais importante,
que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida,
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem
despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda!
Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!"
quem olha para dentro, desperta"
Carl Young
Foi muito doído abandonar a sementinha plantada ano passado por mim e pela Luíza Gamboji, quando entrevistamos o Juliano na porta da UNA. Lembro do dia como se fosse hoje: o povo reunido na mesa do Boi na Brasa, tomando cerveja e esperando o jogo começar, eu e a Luíza saindo da faculdade. Foi quando o Juliano apareceu. Ele se aproximou pra vender refri, eu disse que só comprava se fose light, porque engorda. Ele me ofereceu uma lata vazia pra comprar, dando risadas, beeeem loco. Começamos a conversar. Ele demonstrava uma grande capacidade de relacionar coisas significantes, e desenvolvia um discurso socialista de dar inveja a muito bandeirola.
O Juliano Santos cantou rap e brincou como criança, no paraíso de ser o centro das atenções. Recitou Wilson Trópia, com uma perfeição incrível.Quase caí pra trás... tirei rápido a câmera da bolsa e comecei a gravar. Eu e a Lú olhávamos uma pra outra surpresas com aquela pessoa na nossa frente. Gravamos uma parte da conversa, uma letra de rap e fiz algumas perguntas. Ele nos acompanhou até a porta do bar, conversando como grandes amigos que há tempos não se vêem. Foi embora e nós duas nos perdemos em conversas sobre o valor das pessoas, e da necessidade de dar valor as belezas simples da vida, dos Presentes que ela nos dá.
Isso é pra lembrar a idéia original deste blog, a princípio. O resto é com você.
Desde a época do Juliano muitas coisas mudaram na minha vida e na da Luiza. O Juliano mudou alguma coisa em nós, sobre o conceito e valor que damos as pessoas. Todos importantes e peças fundamentais desta terra de possibilidades onde vivemos.
"O Senhor... mire e veja: o mais importante e bonito do mundo é isto:
que as pessoas não estão sempre iguais, não foram terminadas,
que elas vão sempre mudando. E o que a vida me ensinou.
Isso me alegra. Muitào.
Guimarães Rosa.
O valor das pessoas não está no dinheiro ou poder que tem, e sim no que refletem e nas experiências que escolhem e precisam viver. Todos tem seu caminho e se fossemos todos loiros, ricos, poderosos e famosos seria o caos. Acho que o planeta não suportaria tantos egos inchados repletos coisas fúteis e tolas.
Depois que conhecemos o Juliano refletimos sobre estes aspectos e criamos o Gentedeverdade.blogspot.com. Sua idéia principal é homenagear estas pessoas, que saíram da casca, tiraram o rótulo e fizeram diferença através de seus pensamentos, musicas, poemas e telas. Famosos ou anônimos.
Agora voce fica com o poema Mude, de Édson Marques, maravilhoso:
Mude, mas comece devagar,
porque a direção é mais importante,
que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida,
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem
despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda!
Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!"
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Gente de verdade 2: Clarice Peluso, atriz
E por quanto tempo ali estivera sem se dar conta – sem dar conta de si? Deus me livre de mim – rezava com fé de quem pede o impossível. Havia aprendido por constatação que seu maior medo era de ser humano. E havia também guardado com cuidado as chaves que a vida lhe dera em sua árida trajetória repleta de guerras e mortes íntimas. Mas, uma vez, havia experimentado o amor. Amor tem gosto de água que se bebe de filtro de barro e aos olhos tem cor de sol e brilha de cegar a gente e deixar sem ar quando faz parar o tempo e se confessa em silêncio e se declara no olhar. Blagh blagh blagh – já era crescida suficiente para saber que quem uma vez experimentou amor, experimentaria a segunda e seria tudo diferente - e assim por diante. O fato é que catava os cacos no fundo do seu coração penhasco, e pra quê ia pensar tanto tão pequenina, não ia afinal desvendar sua sina pensando tanto. Foi quando:
Nada!
Simplesmente nada aconteceu – nem um pensamento - nada!
Ficou tudo parado.
Assim: de uma hora pra outra – de repente.
E assim ficou por um bom tempo:
Toda em silêncio.
E tudo em volta. Só. Silêncio.
Até que: nada. Tentou mais uma vez: nada. Estava presa. Não conseguia abrir mão, abandonar aquele silêncio que havia se tornado sua casca – tornara-se sua carne, seu próprio corpo e sua pele branca como morte sem doença. No universo paralelo dentro do seu estômago havia uma revolução e rebeldes desafiavam a polícia com pedras e bombas de fabricação caseira. Então começou no interior da sua cabeça um concerto de heavy metal com espasmos de música clássica. Desmaiou! Não, não conseguiu – tentara com todas as forças desmaiar-se, mas permaneceu lúcida atormentada perplexa e sem coordenação.
E mais um mundo caiu. Mais uma cabeça rolou. E o vento ventou acordes de falta em harmonia destorcida, cicatrizada. E a falta do que fazer em todo o redor - a falta de qualquer coisa ou qualquer falta. Olhou-se no espelho e o que viu não lhe espantou: natureza morta. Antiqüíssima. Mais antiga que a dificuldade que sempre lhe acomometera por saber-se bípede num planeta redondo e ainda ter que respirar ao mesmo tempo...
Desabou: é que às vezes uma mudança de lua, me deixa toda mexida... noutras, quando mênstruo, fico toda misturada... E por minha vez aviso: estou vivendo! Eu sou vivendo! O tempo inteiro enquanto respiro, vivo! E erro. Erro existencialmente por não saber respirar direito. Respirar cansa - a mim me cansa. É isso. Por hora... É isso, agora. Depois muda... Como muda de planta... Entende?
Clarice Peluso/ amo - amiga
Ler este texto até o fim, sem conseguir desgrudar os olhos nem pra saciar a curiosidade de logo saber o autor, só podia ser Obra de Clarice.
Perceber seus traços nos textos e entender o que lhe coça a cabeça é mágico. É questionar a magia das coisas, e humildemente tentar descobri-las... pedindo desculpas pela tolice da tentativa.
É ser lindo e puro, e mesmo assim saber que ainda é pouco, que se é uma construção.
É pedir: - me abraça? com cara de: - desculpa?
Da Clarice agente sente falta. Quem dera mais Clarices no mundo.
Nada!
Simplesmente nada aconteceu – nem um pensamento - nada!
Ficou tudo parado.
Assim: de uma hora pra outra – de repente.
E assim ficou por um bom tempo:
Toda em silêncio.
E tudo em volta. Só. Silêncio.
Até que: nada. Tentou mais uma vez: nada. Estava presa. Não conseguia abrir mão, abandonar aquele silêncio que havia se tornado sua casca – tornara-se sua carne, seu próprio corpo e sua pele branca como morte sem doença. No universo paralelo dentro do seu estômago havia uma revolução e rebeldes desafiavam a polícia com pedras e bombas de fabricação caseira. Então começou no interior da sua cabeça um concerto de heavy metal com espasmos de música clássica. Desmaiou! Não, não conseguiu – tentara com todas as forças desmaiar-se, mas permaneceu lúcida atormentada perplexa e sem coordenação.
E mais um mundo caiu. Mais uma cabeça rolou. E o vento ventou acordes de falta em harmonia destorcida, cicatrizada. E a falta do que fazer em todo o redor - a falta de qualquer coisa ou qualquer falta. Olhou-se no espelho e o que viu não lhe espantou: natureza morta. Antiqüíssima. Mais antiga que a dificuldade que sempre lhe acomometera por saber-se bípede num planeta redondo e ainda ter que respirar ao mesmo tempo...
Desabou: é que às vezes uma mudança de lua, me deixa toda mexida... noutras, quando mênstruo, fico toda misturada... E por minha vez aviso: estou vivendo! Eu sou vivendo! O tempo inteiro enquanto respiro, vivo! E erro. Erro existencialmente por não saber respirar direito. Respirar cansa - a mim me cansa. É isso. Por hora... É isso, agora. Depois muda... Como muda de planta... Entende?
Clarice Peluso/ amo - amiga
Ler este texto até o fim, sem conseguir desgrudar os olhos nem pra saciar a curiosidade de logo saber o autor, só podia ser Obra de Clarice.
Perceber seus traços nos textos e entender o que lhe coça a cabeça é mágico. É questionar a magia das coisas, e humildemente tentar descobri-las... pedindo desculpas pela tolice da tentativa.
É ser lindo e puro, e mesmo assim saber que ainda é pouco, que se é uma construção.
É pedir: - me abraça? com cara de: - desculpa?
Da Clarice agente sente falta. Quem dera mais Clarices no mundo.
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